Carta aberta
Excelentíssimo Senhor
Serve a presente comunicação para cumprimentar Vossa Excelência pela organização da 39o Ovibeja que, uma vez mais, se afirma como uma relevante feira inclusiva, dotada da arte de bem acolher os agentes impulsionadores das dinâmicas que compõem a sociedade.
Encorajados pelo apelo à participação cívica e ao exercício da cidadania, inscritos na vossa matriz identitária, decidimos conhecer a feira que nasce na terra e se desenvolve na cidade, num momento particularmente simbólico, elevado pela presença Oficial do Sr. Presidente da República Portuguesa.
Como certamente será do conhecimento de Vossa Excelência, os professores debatem-se há longos meses com problemas estruturais que, caso persistam, ameaçam virar do avesso as suas, já tão precárias e fragilizadas, vidas profissionais e familiares. As ações de denúncia desses tormentos têm sido amplamente participadas e divulgadas, no entanto, e, apesar da elevação e relevância pedagógica com que as inúmeras iniciativas de protesto têm sido conduzidas, a ausência de respostas válidas persiste.
Assim, a braços com uma tremenda desolação, os professores veem-se forçados a incrementar as suas ações públicas de cidadania exercendo, a pressão possível, junto dos responsáveis maiores pelo rumo deste nosso chão comum.
Nesse sentido, assume especial relevância apelar à intervenção do Sr. Presidente da República, no momento em que tem em mãos a possibilidade de reverter, pelo Veto, a catástrofe enunciada no diploma, aprovado pelo Conselho de Ministros a 16 de março de 2023, que estabelece o novo regime de deportação, vulgo gestão e recrutamento do pessoal docente. Pelo que, jamais poderíamos ter deixado de marcar presença na Visita Oficial do Sr. Presidente à Ovibeja.
Embora jamais tenha sido nossa intenção, apresentamos a Vossa Excelência sinceras desculpas, por qualquer eventual dano protocolar, que a nossa inesperada presença possa ter ocasionado, mas, de facto a ruinosa dimensão do que está em causa assim o ditou.
Lamentamos ainda que o Sr. Presidente tenha aproveitado a sua Visita à 39o Ovibeja para, à porta, se pronunciar sobre a potencial promulgação do decreto que condenará milhares de professores à deportação e ao afastamento de milhares de famílias.
De facto, é de lamentar que esta 39o edição da feira de todas as cores se tenha visto obscurecida pelas declarações presidenciais que os cônjuges, os filhos e familiares próximos dos professores portugueses mais temiam.
Lamentamos profundamente que o certame que afirma ser a construção do sonho, tenha ficado maculado pelo pesadelo infernal que se abaterá sobre a vida dos professores e consequentemente sobre a escola pública, com a promulgação do dito diploma.

Lamentamos que a feira, onde se celebra Todo o Alentejo deste Mundo, fique associada à declaração presidencial que determinará a má-fortuna dos filhos menores dos milhares de professores que se encontrarão numa verdadeira situação de deportação.
Lamentamos que o certame, onde não há espaço para preconceitos, que se ergue com respeito à mais pura ruralidade, se veja envolvido numa teia esconsa, urdida nos gabinetes das cidades, que obrigará os professores a concorrerem a todo o território nacional, levando-os a vincular a centenas de quilómetros do seu local de residência, sem qualquer apoio ou ajudas de custo, afastando-os dos seus por tempo indeterminado.
Lamentamos que a 39o Ovibeja tenha sido o palco onde em uníssono reafirmamos que“Este não é o nosso ministro. Nós precisamos de ministros que oiçam os professores”.
Apresentamos a Vossa Excelência os nossos melhores cumprimentos,
P/ dois professores que marcaram presença na Visita do Sr. Presidente da República à 39o Ovibeja
2 Comments
Add YoursNão se preocupem onde colocar o meu corpo.
Preocupem-se com aqueles que querem acabar com aquilo que ajudei a construir
Salgueiro Maia, capitão de Abril
Pedro é UM EXCELENTE CARICATURISTA! E para quem como eu já passou somente 1 mês de 2003 (mesmo NUNCA tendo estudado para ser docente! ), ESTOU CONVOSCO nessa vossa LUTA! ESTÁ DE PARABÉNS pelo DOM que tem Pedro! E NÃO ligue a críticas HISTÉRICAS SEM NENHUM sentido!
Como desempregada há 22 anos seguidos noutra área académica (Geografia e Planeamento Regional) sei O QUE É NINGUÉM nos ouvir em portugal!
Sempre ouvi esta de pessoas ANTIGAS de outros tempos: QUEM CALA CONSENTE E QUEM ESTÁ CALADO TUDO PERDE!
Assim tem sido o meu caso por ESTUPIDEZ DE TIMIDEZ. ..e agora aos 47 anos de idade e 22 anos seguidos de MALDITO desemprego. …NADA DE NADA me resta. ..a não ser FUTURA SEM-ABRIGA!
Se você e outros professores NÃO querem ficar como eu: LUTEM por mim e pelas novas gerações de professores que vos seguirão!