Enredada num enfadonho presente eterno,
(con)vencida pela prosa dramática dos vendilhões deste Tempo,
a Humanidade, que sobeja,
baixa a cabeça,
rende braços e inteligência
e abraça
ilusões mercantis e fábulações apocalípticas
confessando
não ter Tempo para interpelar as circunstâncias
dia-atrás-de-outro
a Humanidade perde consciência
e colabora,
na extinção da memória,
semeando sobre cada pedaço de chão coletivo
um execrável individualismo
que perturba a natureza humana.
Mindelo
Antónia Marques