Se eleito, promete manter viva a chama da luta sob o lema que resume a sua carreira: um por todos, todos por mim"..
Nascido e criado num berço de prata ali para os lados da Sé, Tété Patranha descobriu cedo que a melhor forma de brilhar era na oposição. Estudante brilhante na arte de evitar exames, notabilizou-se pela luta feroz contra os "Dux", negando e criticando praxes e rituais iniciáticos - exceto, claro, aqueles que ele próprio inventava nas assembleias gerais (AGA's).
A sua vida profissional é um bailado entre assembleias sindicais ficcionadas e ferverosos comunicados de imprensa. Com um currículo que atravessa partidos de esquerda (uma espécie de Erasmus ideológico), adquiriu uma formação sólida em palavras de ordem, particularmente úteis em dias de manifestações e divertidas greves coreografadas.
De punho cerrado e pose estudada, Tété com a sua pose messiânica e um discurso que transborda emoção no vibrato, mas padece de uma anemia profunda no conteúdo.
É o ídolo incontestável de uma legião de professoras veteranas, carinhosamente apelidadas de "Patranhetas". Com um suspiro de nostalgia, recordam-no como "aquele rapaz tão combativo" que faltava às aulas, mas nunca a um almoço de sindicato ou a um plenário com direito a tempo de antena. Para elas, Tété encarna o romantismo da luta de classes. O cabelo estrategicamente desregrado, o olhar de indignação psicótico e a promessa eterna de que "agora é que vai ser".
Em cima de um palco improvisado, Patranha atinge todo o seu esplendor retórico. Trepando para cima de caixotes de lixo com a agilidade de um felino revolucionário; mexe os braços como um maestro perante uma orquestra de apitos e
megafones enebriados.
Defensor incansável, do que resta da Escola Pública, Tété promete "dignificar a classe", combater os "sindicatos do sistema" que o atraiçoaram, e ouvir sempre a "base" - desde que a base concorde com ele por unanimidade.