Mari-mari-mari Marilú,
refrão repetido até à exaustão,
símbolo de um país que ainda tenta perceber (o cú)
de quem fala, e em nome de quem e de quê.
Vieira é um homem atormentado por uma dúvida existencial que o persegue há quase quarenta anos: afinal, é ou não é Marilú? A questão nunca foi pacífica. Consta, por corredores mal iluminados e conversas apressadas, que o nome original seria MariaAlva. Acontece que, em sucessivas revisões destinadas a não incomodar certas sensibilidades das elites lisboetas, o nome foi sendo afinado, aparado, higienizado.
Passou por MariaCalva, solução tecnicamente neutra, até que o destino (e alguns copos de conhaque bem medidos) trouxeram a revelação final. Entre vapores inebriantes e uma clarividência criativa pouco fiscalizada, nasceu Marilú nome marítimo, etéreo, suficientemente ambíguo para caber em qualquer cartaz eleitoral.
Talvez por isso persista a dúvida: será Marilú mesmo ela? Ou apenas uma ideia? Um conceito? Um estado de espírito em campanha eleitoral permanente?