Talvez agora, com a sua candidatura à Presidência se as maleitas, e se perdoem os derramados.
A genealogia no Largo do Rato é de uma simplicidade grandiosa uterina: o pai biológico e espiritual de todos nós chama-se Soares. Os seus súbditos e descendentes diretos, vivem num estado de tensão pré-eleitoral permanente, onde de quando em vez ir às trompas uns dos outros é apenas uma questão de sobrevivência hormonal. Pelo caminho, há sempre um sujeito que nos parece inspirar ou fecundar, gerando um pseudo-líder, um embrião de esperança que nos guia docilmente até à próxima hemorragia de votos.
Mas a biologia partidária é cruel e nem todos os embriões chegam a bom porto. Muitos são expelidos do aconchego burguês e climatizado do "Pai-de-nós-todos" muito antes de formarem espinha dorsal.
Assim foi a história clinica do Tóni Seguro. Entre o crescimento e o aborto, quase expontâneo.
Mas nem todos somos fecundados e muitos acabam por cair dos seus pedestais e expulsos do aconchego burgues do pai-de-nós-todos.
Não vale a pena esconder as manchas deste percurso; a traição política é um fenómeno tão fisiológico e inevitável como a menstruação. O segredo da sobrevivência não está na lealdade, mas na higiene das relações de interesses. No Rato, o protocolo é claro: manter a assepsia nos corredores enquanto se desdiz o que foi dito, apoiar os expelidos apenas enquanto o fluxo é favorável e, sobretudo, esperar que o resultado final nos diga se devemos celebrar a fertilidade da vitória ou esconjurar o sangue da derrota.
Porque, no fim do dia, o Tóni, tal como o slogan prometia:Está Seguro, é Natural, e foi descartado assim que o ciclo mudou. Um candidato absorvente que, infelizmente para ele, não evitou o derrame final.