2021

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PRESSÁGIO

Pode o futuro ser inescrutável?
Os gestos amadurecem,
Os vestígios transformam-se em evidências,
e os agoiros suspeitas da má-hora que aí vem.

Arrepia, a brisa que atravessa o corpo.
Agride, o som que embate no peito.
Repousa, a mão invisível que fadiga o ombro
e nos impede de seguir em frente.





CREPÚSCULO

Chegam os murmúrios…
o respirar dos recolhidos,
a renascença dos impolutos,
e depois o silêncio,
a língua dos mortos.

Abriu-se a chaga curada do ventre.
cresceu a saudade umbilical.







ENCLAUSURA

Ede repente
as falas ficaram turvas,
os gestos amplos e languidos,
os corpos quentes são memórias,
e os olhos repousam, porque já não precisam de ver longe.

Ficamos sós.
Alimentados pelo gesto útil que prolonga o corpo,
enquanto o espirito confinado entorpece,
dia-após-noite.





SERENIDADE

O sol, impiedoso preenche o vazio.
Sopra um vento quente e calmoso
que tempera a dor e abafa a incompreensão.
Abraça e embala o corpo
num infindável dia de verão .

Quanto ao destino…
desta vez, deixai-lo estar,
porque afinal o futuro é
inescrutável?