Nha Donna

Nha Donna,
Mulher de todas as ilhas e mãe de todas as angústias, sofrimentos e esperanças.
Mulher nascida no sotavento, na ilha, mais ilha de todas elas.
O destino criou-a longe dos continentes até à idade adulta. Destino de quem nasce por ali, logo teve que partir para ganhar sustento para si e para os outros que lhe estão próximos.
Nha Donna encontrou em Lisboa o seu destino durante 35 anos. Lá fez família, amigos e desamigos, sem nunca esquecer a sua terra, as suas gentes e o seu mar.
Agora que a sua vida está mais suave, fruto do seu trabalho árduo, Nha Donna com argúcia e uma pitada de ironia, delicia-se a apreciar o mundo, sempre com um sorriso largo e contagiante.
Afinal, Nha Donna sabe como ninguém que Tud é bada!

 

Rude

“Era feio, era antigo, era desajeitado. Construído, no entanto, para suportar o embate das tempestades e a dura aventura de, regularmente, estabelecer o elo social e económico entre as populações solitárias daquelas dez ilhas que nele viam um amigo, um companheiro da esperança. Era inestético, trangalhadanças, reonceiro, mas funcional.”
Hora do Bai
Manuel Ferreira

Hora di Bai

Há aqueles que pairam, e os que afincam.
Os que pairam, mais tarde ou mais cedo precisam de terra. Como temem serem confundidos com o povo, escolhem um ponto alto, juntam-se entre si esperam a oportunidade para voltar a pairar. Algumas aves são companhia dos pairadores, como abutres.
Já os que afincam, apesar da sua condição de cravado na terra, são paradoxalmente Homens livres. A sua condição de afincado é tão somente fruto da sua perseverança. A terra não é para eles uma prisão mas sim uma a sua âncora.
Por vezes os pairadores (quando a vida não lhes corre de feição) errantes, descem dos céus para se confundirem com os afincados. Quando chegam, constroem narrativas, falam das agruras do seu passado, culpam o outro pelo seu do infortúnio. Objetivamente o que querem é tão somente dizer que são gente brotada da terra.

Os afincados com olhar de soslaio, já nem estranham de figuras assim. Todavia, quando o disfarce dos pairadores é exímio, os afincados sabem como identificar um impostor: Dão-lhes a provar água do mar. Se lhes souber a sal, são concerteza gente sem pátria. Mas se o gosto for de lágrimas, mesmo que nascidos noutra terra, são de certeza Homens livres.
A condição de afincado não é eterna, bem pelo contrário. Triste sina destes homens livres. A terra é cheia de humores, por vezes expressa-se com uma imensa seca, ventos, escassez de água, aridez… só para referir os mais relevantes.
Em tempos assim, os afincados perdem a sua condição, e partem. Distanciam-se dos abutres que pairam, e (re)encontram outros lugares.
São homens e mulheres que se expressam em voz alta e que todos os dias, mesmo sem o saber, fazem a verdadeira história do seu povo.

Hora do Bai – Hora de Partir

Esta obra gráfica, é uma homenagem àqueles que, apesar da perseverança, da luta diária pela sobrevivência das suas famílias, a terra teima em não segurar segurá-los.
São homens a quem que o destino (fé, diz-se por aquelas paragens) deu o engenho para construir as suas próprias asas e quando a hora di bai chegar vooam sem olhar para trás não olham para trás.

Santiago, 2017

We Are All MIgrants – Todos Somos Migrantes

Por uma causa, pelo maior desafio da humanidade para o próximo século… porque todos somos migrantes.

Primeiro no Presidencia de Zapopan, México, depois no Open Center of Arts, em Chicago, e agora na Embaixada do México, em Dublin.

Gracias Claudia Tello e Escucha mi Voz

 

Embaixada do México, em Dublin

Press Release (11 de Abril 2017)

we are all migrants

 

 

 

 

Open Center of Arts, Chicago

 

Algumas obras em exposição:

David Criado – Espanha

 

José Manuel Vargas – Venezuela

 

Mohsen Heydari – Irão

Onur Kuran – Onur Kuran – Turquia