Ki Negoce, Centro Cultural de CABO VERDE apresenta…

“Ki Negoce”, Um filme de Toni da Costa.
Produção – Contos da Macaronésia – 2019

Versão original em Crioulo – Legendado em PT. -design – www.pedrobrito.eu


Maria Eóla, Atriz Convidada.


Menino Taré, Ator convidado.

 

um filme de Tony C.
produção – CONTOS DAS MACARONÉSIA
apoios : CENTRO CULTURAL DE CV – CM   – restaurante
a cozinha da “Nha Donna” – Ministério das Industrias do vento – Portugal
Versão original em Crioulo – Legendado em PT. -design – pedrobrito.eu

O Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa

No dia 6 de julho foi inaugurado, em Lisboa (antigo edifício da UCCLA), o Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV).
A inauguração, que contou com a presença de diversos governantes de Cabo Verde e Portugal e outras individualidades, foi também consagrada à celebração dos 44 anos de independência de Cabo Verde.
Num púlpito, posicionado no exterior do edifício, foram proferidos os discursos da praxe, pelos representantes de ambos os estados e, assim que as intervenções terminaram, foi servida a tradicional cachupa. Simultaneamente, aproveitando a dedicação do povo ao entretenimento gastronómico, um restrito grupo de individualidades descerrou placas, cortou fitas e, já no interior do edifício, sorriu para os fotógrafos.
A festa do povo, no exterior do CCCV, foi animada com música cabo-verdiana, enchendo de morabeza o (já pouco típico) bairro lisboeta.

Inauguração do Centro Cultural de Cabo Verde em julho de 2019

Após o frenesim do evento e azáfama inerente à partilha das fotografias tipo “imprensa cor-de-rosa” nas redes sociais, terá chegado o tempo de, serenamente, refletirmos acerca da criação do CCCV em Lisboa, bem como sobre as motivações e objetivos que norteiam este projeto cultural.

É essencial Cabo Verde ter um centro cultural em Lisboa?

A resposta é evidente – Sim! Inequívoca é também a responsabilidade que se exige aos decisores culturais e políticos na gestão de um espaço como este, sob pena de, num eventual fracasso, prejudicarem a imagem de Cabo Verde, dos seus criadores/artistas e demais atores envolvidos.

É fundamental que, desde os primeiros dias da sua existência, a instituição dignifique a missão a que se propõe, apresentando uma estratégia robusta, capaz de traduzir a diversidade das expressões identitárias da cultura de Cabo Verde.
Espera-se, por isso, que a equipa de gestão do CCCV promova um efetivo conhecimento, através de uma aposta sólida na investigação, pesquisa e divulgação dos reais valores da cultura cabo-verdiana e do seu posicionamento no mundo.

Caso essas premissas não sejam devidamente acauteladas, o CCCV poderá correr o risco de (como sucede com outros espaços culturais em Lisboa) se transformar em mais um “palco” de vedetas disfuncionais com apelidos sonantes, mas que, efetivamente, pouco representam o verdadeiro pulsar criativo da cultura cabo-verdiana.
Outro grave risco, caso falhe a missão identitária do CCCV, será o de se ver convertido em salão reservado ao convívio das elites e patrícios que se movem pela capital lusa (alguns com honrarias de estado), apregoando a beleza dos “ventos mornos”.

Estranha-se que, até à data, não tenha sido divulgada informação sobre a missão, a equipa de gestão, os estatutos, etc. Pelo contrário, as raras e dispersas declarações sobre o assunto, proferidas pelos representantes de estado, governantes e suas assessorias, que têm vindo a público, são até reveladoras de algum desnorte.

“Já temos a equipa identificada, mas ainda não está completamente concretizada, porque estamos nessa fase de profissionalizar, mas já temos um perfil definido (de quem deverá gerir), que terá que ser alguém com uma vertente profissional, digamos, muito grande”, Eurico Monteiro, Embaixador de Cabo Verde em Portugal.

Igualmente inusitada foi a argumentação apresentada, nos discursos inaugurais, para a pertinência da criação do centro. De acordo com as declarações proferidas, o espaço representa, de alguma forma, a recuperação do antigo triângulo constituído pelas ruas de São Bento, Poço dos Negros e Poiares de São Bento, conhecido bairro da comunidade cabo-verdiana, antigo “porto de abrigo” da vaga migratória dos anos 70, que ali se fixou.

Até poderia ser uma argumentação plausível se, no decorrer da última década os lisboetas não tivessem assistido à descaracterização identitária dos bairros, em prol do reforço da indústria turística. A comunidade cabo-verdiana há muito não vive neste triângulo, há muito tem sido empurrada para os inúmeros subúrbios da cidade.

Infelizmente o CCCV não será suficiente para inverter o programa de turistificação da cidade. Bem pelo contrário, a sua possível inscrição (promessa de Fernando Medina) nos famigerados roteiros turísticos da cidade, poderá até ser desprestigiante para os artistas/escritores/criadores que participem neste projeto, seja qual for a sua nacionalidade. Pois, é apanágio das cidades gentrificadas industrializar a criação artística, com intuito de a converter numa espécie de cultura à lá carte.

Insossas e pouco esclarecedoras foram as declarações da ministra da cultura portuguesa. No seu breve e ineloquente discurso, apenas sublinhou o facto de o novo CCCV estar próximo da Casa Amália e, desta proximidade (afirmou a ministra) contribuir para o sucesso da candidatura da morna a património imaterial da humanidade.
Esperava-se mais entusiasmo e compromisso institucional da ministra que tutela o sector da cultura. Infelizmente, a sua prestação não foi surpreendente, deparamo-nos com uma ministra em fim de ciclo governativo e a cumprir o protocolo. Lamentável.

Sublinha-se, com agrado, as declarações do Senhor Ministro da Cultura de Cabo Verde pelo facto, de salientar ser propósito do seu ministério, fazer deste espaço um elemento de proximidade com as comunidades cabo-verdianas, residentes em Portugal. São conhecidas as suas declarações acerca da diáspora cabo-verdiana, esquecida e tantas vezes quase abandonada pelos decisores políticos do seu país.
Esperamos que este seja o leitmotiv que estabelece, ao nível cultural, a tão desejada proximidade com as comunidades, sem distinção social.

Menos felizes foram as declarações com as quais pretendia enaltecer o projeto, referindo que o CCCV é o” primeiro centro cultural de um pais africano bem no coração de Lisboa e às portas da Europa”.
Esta lógica centralista e de posicionamento geoestratégico em pouco ou nada contribui para o reconhecimento cultural de um povo. A não ser que este Ministério conceba a cultura como um bem transacionável e este centro cultural como uma plataforma de mercantilização pseudocultural, integrada numa indústria re(criativa) ao serviço do mercado e das lógicas de consumo, tão bem protagonizadas pela gentrificação das cidades. Se assim for é lamentável – A comunidade cabo-verdiana, e portuguesa, dispensam (mais) um projeto comercial assim.

O que se espera deste projeto cultural?

Após a leitura de algumas notícias, veiculadas nas redes digitais e outros órgãos de comunicação, impõem-se algumas questões que, certamente, gostaríamos de ver esclarecidas:

  • O que se entende por “cedência” do espaço, onde está instalado o CCCV, pela Câmara de Lisboa? Que contrapartidas exige a autarquia lisboeta a Cabo Verde?
  • Essa “cedência” tem algum prazo de validade?
  • Que critérios vão ser utilizados na seleção da “equipa” que vai gerir este espaço cultural?
  • Foi aberto algum concurso público para a escolha e contratualização dos técnicos que têm a seu cargo a remodelação do imóvel?
  • Foi aberto algum concurso público para a realização da identidade Visual do CCCV?
  • Quando serão conhecidos a missão e os estatutos do CCCV?
  • Quando será divulgado o seu programa operativo?

Perguntas pertinentes para as quais se esperam céleres respostas!


Julho de 2019
(Publicado no Jornal  “Santiago Magazine” em 17 de julho de 2019)
#contosdamacaronésia

Ilustração animada

O Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa

“Espera-se que a equipa de gestão do CCCV promova um efetivo conhecimento, através de uma aposta sólida na investigação, pesquisa e divulgação dos reais valores da cultura cabo-verdiana e do seu posicionamento no mundo. Caso essas premissas não sejam devidamente acauteladas, o CCCV poderá correr o risco de (como sucede com outros espaços culturais em Lisboa) se transformar em mais um “palco” de vedetas disfuncionais titulares de apelidos sonantes, mas que, efetivamente, pouco representam o verdadeiro pulsar criativo da cultura cabo-verdiana. Outro grave risco, caso falhe a missão identitária do CCCV, será o de se ver convertido em salão reservado ao convívio das elites e patrícios que se movem pela capital lusa (alguns com honrarias de estado), apregoando tão só a beleza dos ‘ventos mornos'”.

Artigo Integral – https://santiagomagazine.cv/index.php/mais/n-colunista/3118-o-centro-cultural-de-cabo-verde-em-lisboa?fbclid=IwAR2ipXGauioxodEoUfHuvnt5VZKkt1W4RUaq-3pH8sovFXr14vfwkynEu9E

Soberanias no tempo das (tele)dependências

As fronteiras de um país soberano e independente não correspondem apenas aos seus limites geográficos. As telecomunicações, sobretudo as de cariz hipermédia, pelas características técnicas que possuem, aceleram as interações e relacionamentos entre os diferentes povos a uma escala (quase) planetária.

Considero particularmente pertinente, neste dia em que se celebram os 44 anos de independência de Cabo Verde, que se reflita acerca do poder destes (ainda) novos meios de comunicação, bem como, sobre o que oferecem e os desafios que colocam às independências, sobretudo às nações jovens como é Cabo Verde.
Serão as interações em rede uma ameaça aos valores democráticos?
Poderão as redes sociais operar mudanças rápidas e significativas no tecido social e, por consequência, provocar possíveis perdas de identidade?
Poderá a maturidade crítica de um povo ser aferida através da sua relação com as redes e por consequência, com outros povos e culturas?
Poderá a rápida propagação de boatos na internet influenciar a opinião dos mais incautos e desinformados cidadãos e, concomitantemente, provocar instabilidade nas organizações sociais e democráticas de um país?

Não se julgue que estas interrogações e desafios, que os meios de comunicação despertam, são tema exclusivo deste tempo presente em acelerada transformação. De todo! Os jornais, a rádio e a televisão há muito são reconhecidos (para o bem e para o mal) catalisadores sociais. A este propósito propõe-se a reflexão sobre  o recente livro de Marques Mendes “Afirmar Portugal no Mundo”.(1)
Marques Mendes, por despacho ministerial, criou a RTP Internacional (RTPi) em 1992 (embrião da atual RTP África), era à data Ministro-adjunto de Cavaco Silva.

Ora vejamos o que tem para nos contar o referido ex-ministro, a propósito do seu ambicioso projeto. 

Num primeiro momento, Marques Mendes avança com uma breve contextualização, repleta de pretensiosas e arrepiantes afirmações acerca do desígnio secular de Portugal  e de que forma o país se deve projetar no futuro. Passo a citar:

“Quem tem poder económico e social (como têm as comunidades portuguesas), pode legitimamente ambicionar a ter poder político efetivo. Sobretudo em tempo de globalização.” “ (…) A solidariedade é uma avenida com dois sentidos. No caso vertente, a avenida que conduz a solidariedade da pátria para com os seus filhos emigrados e a avenida em que estes retribuem a solidariedade recebida, afirmando o seu poder de influência estratégica em favor de Portugal, dos seus desígnios e ideais.”

A prosa continua, até que voltamos a confirmar aqueles tiques neo-expansionistas, que há muito lhe conhecemos, em linha com o seu colega de partido, Marcelo Rebelo de Sousa. 

“(…) há a dimensão africana da nossa política, (escreve Marques Mendes) que podemos e devemos potenciar. Se na União Europeia está o nosso espaço vital, na África de expressão portuguesa  está um dos nossos espaços naturais, fundado em séculos de historia, de convivência e de partilha. (…) somos mais fortes dentro da União Europeia quanto mais firmes e influentes formos na prática do ideal africano.”

Se estas infelizes passagens não forem suficientes para provocar o pasmo dos leitores, o que se transcreve em seguida, será certamente capaz de gerar estupefacção no leitor mais desprevenido.

“A política de cooperação (escreve Marques Mendes) faz-se hoje, infelizmente, sem grandes meios. Há um superavit de voluntarismo e um défice de instrumentos de intervenção. (…) cooperação com África não representa despesa. Pelo contrário, significa investimento politicamente reprodutivo.”

Após a soberba destas afirmações, julgo pertinente refletirmos sobre quem são os portugueses que representam o “investimento politicamente reprodutivo” em Cabo Verde? 

  • serão as empresas portuguesas que, em nome desse investimento, celebram contratos ruinosos para o erário público de Cabo Verde?
  • serão os portugueses possuidores de terrenos doados por governantes cabo-verdianos (como prática da designada “tradição morabeza”)? 
  • serão os institutos e entidades ditas culturais que preenchem de forma muito duvidosa o panorama cultural e artístico em Cabo Verde, sob a égide do poeta imortal?
  • serão os líderes das organizações não-governamentais, com agendas pretensamente solidárias empenhadas numa espécie de evangelização moderna?

Indiferente a estas e outras controvérsias, Marques Mendes elege como representantes desse investimento politicamente reprodutivo os portugueses que “pensam em grande e agem com ambição. Afinal, somos um país pequeno, mas não somos uma nação irrelevante”

Após discorrer sobre o caráter das relações que Portugal deve ter com África de expressão portuguesa, Marques Mendes avança para o tema central do livro – a criação da RTPi. Esse que foi, nas palavras do seu criador, um projeto único, apenas comparável às grandes obras de estado do século XX em Portugal. 

Esse projecto de televisão que, numa dimensão bem-intencionada permitiu aproximar, desde o primeiro momento, a diáspora portuguesa, adquiriu, no entanto, surpreendentes contornos políticos.
Cabo Verde terá sido palco de um desses momentos políticos, ao qual Marques Mendes se refere com carinho paternalista, revelando um desses singulares episódios.

Carlos Veiga, à data primeiro-ministro de Cabo Verde, terá telefonado a Marques Mendes, dirigindo-lhe um especial e urgente pedido – Seria possível que a RTPi transmitisse um jogo de futebol (taça dos campeões europeus em que participava o Benfica). Este pedido, nas palavras de Veiga, traduzia uma exigência popular, que ele e o seu governo gostariam de ver satisfeita, permitindo assim, claro está, daí retirarem dividendos eleitorais.

De repente a RTPi, que havia sido criada para divulgar a cultura, a língua, o poeta e os afetos, adquire uma importância fulcral no tabuleiro da política internacional, capaz de mobilizar governantes e influenciar os mais altos dirigentes das nações africanas de expressão portuguesa. Marques Mendes, orgulhoso da sua obra evidencia esta leitura, referindo que a RTPi é um privilegiado instrumento de aproximação dos portugueses espalhados pelo mundo, mas, é também, uma ferramenta de persuasão e legitimação do poder estratégico que Portugal teve no passado e deseja manter no futuro. Posição, infelizmente, corroborada por inúmeros governantes e intelectuais portugueses e cabo-verdianos, quando afirmam ser esse o natural desígnio de Portugal em África.

As mais recentes e escabrosas iniciativas em que Portugal assumiu um papel preponderante, confirmam essa vontade expancionista. São disso exemplo, as comemorações do Dia de Portugal no Mindelo e na Praia, com paradas, condecorações e afetos cheios de portugalidade; os acordos de pescas entre a UE e Cabo Verde; a estratégica celebração do Dia da Europa no Mindelo, repleta de sorrisos e abraços forçados; as promessas eternamente adiadas, no que respeita a livre circulação de cidadãos cabo-verdianos no espaço Schengen; a manutenção dos interesses monopolistas da TAP que tanto penalizam os são-vicentinos. 

Portugal assume, sempre que considera oportuno, uma posição de ator/observador escondido atrás do biombo, mas sorrateiramente lá vai tomando para si aquilo que muitos portugueses ainda acham que lhes pertence.

É neste contexto que se torna urgente uma profunda reflexão acerca dos desafios e ameaças, com os quais Cabo Verde se vê confrontado, no que à sua soberania diz respeito.

Na atualidade, os meios de comunicação assumem sofisticadas formas de persuasão, pelo que, à falta de maturidade cívica de um povo, podem fazer perigar as soberanias, sobretudo em países jovens como Cabo Verde.
Talvez volte a fazer sentido colocar (em tom de provocação) a clássica pergunta retórica, com uma “ligeira” reformulação semântica:
Quer/Pode Cabo Verde continuar a ser uma nação independente?”
Só o povo saberá responder.

5 de julho de 2019,
Contos da Macaronésia

Publicado no Jornal Santiago Magazine, 5 de julho 2019



 

Pobres, Povos Irmãos

Já todos percebemos que Eles se vestem de azul e cinzento. Já ninguém tem dúvidas das suas reais intenções. 

Expressões  como “territórios espirituais”, “povos irmãos”, “pátria de carácter universal”, “exaltação do povo e de Portugal”, e tantas outras súbtis formas de expressão verbal proferidas pelo Presidente da República Portuguesa nos órgãos de comunicação social, não esconde e até mesmo reafirma o escondido “programa de expansão” territorial.

Esta tem sido a agenda de muitos países europeus – Respeitam-se bandeiras,hinos e lentamente os braços dos todos poderosos cresce, transforma-se e recorre a locuções maquilhadas que os antigos senhores sabem bem decifrar.

Os países irmãos têm um pai: a pátria! (segredam entre si).

Este discurso “renovado” e bafiento envergonha todos aqueles homens e mulheres livres que não esquecem o passado.

É desolador assistir ao silêncio dos frequentadores do Tombo nestes momentos mediáticos. Estes senhores, ditos investigadores, recorrem aos arquivos históricos e pontualmente esclarecem-nos através de livros e artigos hipermedia nem sempre muito imparciais. É compreensível, afinal quem subsidia as academias dos “esclarecidos”, as centenas viagens dos académicos e as suas elaboradas “investigações históricas” parcelares e tendenciosas?

“Somos a voz de um novo tempo pós-qualquer coisa!” (dizem em voz alta.)

É também nestes momentos que os profissionais do ativismo (não confundir com atavismo) vacilam, enfiam o violão no saco e esperam que o vento morno passe.

Cabe-me, no pleno exercício da minha cidadania ativa, expressar e endereçar as minhas sinceras desculpas ao povo cabo verdiano pelos atos e descaramento dos governantes portugueses, neste dia que é só Portugal. 

 

Visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Cabo Verde no dia 10 de junho, comemorações do dia de Portugal.

Nha Donna

Nha Donna,
Mulher de todas as ilhas e mãe de todas as angústias, sofrimentos e esperanças.
Mulher nascida no sotavento, na ilha, mais ilha de todas elas.
O destino criou-a longe dos continentes até à idade adulta. Destino de quem nasce por ali, logo teve que partir para ganhar sustento para si e para os outros que lhe estão próximos.
Nha Donna encontrou em Lisboa o seu destino durante 35 anos. Lá fez família, amigos e desamigos, sem nunca esquecer a sua terra, as suas gentes e o seu mar.
Agora que a sua vida está mais suave, fruto do seu trabalho árduo, Nha Donna com argúcia e uma pitada de ironia, delicia-se a apreciar o mundo, sempre com um sorriso largo e contagiante.
Afinal, Nha Donna sabe como ninguém que Tud é bada!