Macero, o dissidente

“Mas, então, Macaronésia foi presa fácil doutro mal. Reinava do lado sul Macero, e do lado norte Micanor (hoje diríamos: reinava, a Barlavento, Micanor e, a Sotavento, Macero). (…)

Uma indiscritível erupção subindo do fundo do mar da baía originou este rochedo, que se ergue imponente no meio da baía. Asseguram os anciãos que os deuses quiseram desse modo sepultar o corpo insepulto de MACERO., o dissidente.”

Contos da Macaronésia, G.T. Didial

Ali para os lados onde a Ponta tem Sol

Fica ali para os lados onde o sol tem ponta,
e os barcos são desejos,
de muitos.

Fica ali para os lados onde o sol tem ponta,
e a terra é lavrada por Deus,
e a voz o único caminho do povo.

Fica ali para os lados onde o sol tem ponta,
e os desejos são as asas de ninguém.

 

Ponta do Sol

Europa Mon Amour

Os Homens de azul
Saem lavados e aprumados,
a norte.
chegam vorazes traiçoeiros e agiotas,
ao sul.

Trazem malas de cheias de utopias e promessas vãs.
Levam chão, mar e alma para alimentar o secular insaciável desejo de poder dos Homens,
a norte.

Quando tocam chão calvo, disfarçam-se de estatuas, monumentos e memórias de tempos recuados,
procuram altares, tronos e montanhas, escondem-se na palavra, refugiam-se no fonema

e esperam…
esperam…

Somos irmãos, sussurram ao vento.
Quase convencem.

Pai,
a norte.

Padastro,
a sul.

 

Mitos da macaronesia