RESUMO
Com frequência vemos surgir novas soluções algorítmicas capazes de criar imagens com
características fotorrealistas.
Na mesma linha de investigação, surgem outros algoritmos de simulação dedicados à reprodução
de imagens com características gráficas idênticas aos desenhos realizados por mãos humanas. Estas
simulações denominam-se, na gíria computacional, de non-photorealistic rendering (NPR).
Ao contrário das simulações fotorrealistas, em que os fenómenos físicos da luz são considerados
e há muito já estudados, os modelos não-realistas são produto de múltiplas interacções, muitas das
quais vincadamente de origem humana.
Nos últimos anos, os sistemas NPR apresentaram soluções mais vocacionadas para a simulação
plástica dos diversos estilos de desenho e metáforas associadas, negligenciando, na maioria dos casos,
a importãncia dos mecanismos de percepção visual. Estes últimos determinam a forma como vemos e,
não menos importante, a aparência do que criamos.
No entanto, poucos são os sistemas que procuram compreender a metodologia de trabalho dos
desenhadores, limitando-se a recriar apenas os efeitos expressivos da obra acabada, descurando os
inúmeros erros e as afirmações gráficas da obra.
Neste sentido, o contributo de outras áreas de investigação é particularmente útil para a
construção de sistemas NPR, nomeadamente as artes visuais e a psicologia da percepção (Arnheim
1957), (Solso 1994).
Por mais realista que seja o desenho, este é sempre o resultado de escolhas e interpretações do
seu autor (Massironi 1982). Quando o desenhador inicia uma obra tem de fazer escolhas – o que
representar onde representar, e o que excluir da representação.
Este documento apresenta um sistema NPR baseado em procedimentos têcnicos idênticos aos
adoptados pelos desenhadores tradicionais: linhas diagramáticas para compreensão dos volumes; erros
de traçados; perspectiva e linhas de profundidade; texturas modeladoras de superfícies em função dos
pontos de luz, penumbra e sombra.
As técnicas expressivas de enfatismo e exclusão gráfica, frequentemente aplicadas pelos
desenhadores, são também abordadas no nosso sistema. Recorremos, para este efeito, aos dados
adquiridos pelo eyetracking sobre o movimento ocular do observador para definir um diagrama de
lugares de destaque visual (LDV) na composição, o qual permitirá aplicar um conjunto de filtros entre as
camadas do desenho, simulando assim as técnicas anteriormente referidas.
Em síntese, propomos um sistema que procura representar o percurso evolutivo da obra (ao
contrário de outros sistemas meramente preocupados com o resultado da obra acabada), através da
réplica de inúmeros sinais gráficos, estratégias e metodologias de desenho, daí resultando uma imagem
com características NPR de qualidades expressivas melhoradas